segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Depressão na Infância e Adolescência


A depressão não é só um problema dos adultos. Hoje, sabe-se que esse tipo de doença também afeta crianças e adolescentes. Em idade pré-escolar, a depressão atinge cerca de 1% das pessoas. Em idade escolar, sobe para uma média de 2% a 4%, subindo na adolescência para uma média de 5% a 8% da população. Na infância, atinge igualmente meninas e meninos, sendo que, a partir da adolescência, é mais comuns em pessoas do sexo feminino.
           
A depressão pode ser definida como um transtorno de humor ou de afeto. É um sentimento de tristeza profunda, com sintomas fisiológicos ou orgânicos. Como critérios diagnósticos, os especialistas aliam um conjunto de sintomas que sejam persistentes por mais de um mês: humor deprimido, perda de interesse e de prazer, diminuição da energia, alterações no sono, na alimentação e na libido.

É uma doença de causas multifatoriais: biológicas (fatores genéticos e de alterações cerebrais)  psicológicas e socioculturais. Seus fatores de risco estão ligados ao gênero feminino, aos antecedentes pessoais e familiares, à ocorrências/situações estressantes, à dependência de drogas, à violência doméstica e a altos graus de exigência na escola ou no trabalho.
           
Seus sintomas principais são: tristeza, falta de motivação, solidão, humor deprimido, irritável ou instável; mudanças súbitas de comportamento, mudança de apetite ou peso e vários outros. O portador tem dificuldade em divertir-se, queixa-se de tédio, tem preferências por atividades solitárias, tem pensamentos recorrentes de morte e de suicídio. Fisicamente, queixa-se de cansaço, falta de energia, dores de cabeça, dores de barriga e insônia.
           
O indivíduo geralmente se enche de preocupações, carrega consigo sentimentos de culpa, tem baixa auto-estima, chora excessivamente, não participa de atividades, e até fala baixo, com dificuldade, muitas vezes de maneira monossilábica.

Na escola, o aluno apresenta queda de rendimento, baixa concentração, perda de interesse pelas atividades, falta de motivação, pensamento e fala mais lentos, impulsividade, irritabilidade, choro fácil, isolamento dos colegas, e dificuldades no processo cognitivo. É importante perceber que são sintomas relacionados, que desencadeiam uns aos outros.

A depressão na infância e na adolescência causa dificuldades sociais e acadêmicas na vida adulta e essas dificuldades, se não contornadas, podem ser fator desencadeante de outros episódios de depressão ao longo da vida.
           
Como doença de causa multifatorial, seu tratamento também deve abarcar vários âmbitos da vida da criança ou do adolescente. Esse tratamento pode incluir medicação, psicoterapia, suporte familiar e psicopedagógico, criando uma rede social em torno desse individuo, unindo pais, médicos, professores e amigos.
           
Na escola, cabe ao profissional da educação ver os antecedentes do aluno, minimizar os impactos negativos da doença na prática acadêmica e valorizar os efeitos positivos de um possível tratamento. O professor deve ainda ajudar na criação de habilidades para que esse aluno possa lidar melhor com problemas futuros, evitando assim que a depressão se torne recorrente. O professor deve dar estímulo na busca por ajuda em todos os contextos da vida do aluno, atendo-se à interlocução com pais, médicos e terapeutas.

Assembléias escolares e democracia escolar

O documentário Assembléias escolares e democracia escolar narra a experiência da Escola Comunitária de Campinas, onde o mecanismo de Assembléias escolares é institucionalizado. Com a experiência, o mecanismo foi sendo regulado e a experiência foi se aperfeiçoando. Mostra diversos exemplos de como a experiência demonstra que o exercício da democracia tende a estimular a evolução dessa democracia.


Os depoimentos das crianças evidenciam algumas das conquistas que essa prática proporciona, como a habilidade de externar suas insatisfações, o cuidado com o direito à privacidade das pessoas, a compreensão dos argumentos alheios etc.

Os educadores atuam como auxiliares e, ao mesmo tempo, mediadores dos conflitos que surgem ao longo das atividades. Eles estimulam o debate e os organizam.

É importante notar que, ao mesmo tempo em que se abre um espaço para queixas, se estimula também o reconhecimento das conquistas por parte dos alunos. Então, no mesmo espaço onde se pode publicar uma queixa, se pode das felicitações a alguém por um comportamento elogiável.

O professor Ulisses Araújo nos faz um alerta importante no sentido de que não seria indicado a uma instituição ou a um educador específico, instituir o mecanismo das assembléias com expectativas prévias que não sejam estritamente aquelas ligadas ao desenvolvimento dos valores éticos e democráticos nas crianças. Por mais que se perceba que esse mecanismo tem como resultado evidente a diminuição de episódios de violência na comunidade escolar, não seria sequer aceitável que se instituísse com essa expectativa direta e a curto prazo.

Por fim, aparecem depoimentos bastante marcantes de pais que se disseram surpresos com a postura dos filhos, mas que, ao mesmo tempo, perceberam o quanto podem aprender com a experiência. E de como as relações saem fortalecidas com a possibilidade de diálogo potencializadas pela perspectiva democrática aprendida na prática escolar.

Bullying

Bullying é um termo em inglês - sem tradução literal para o português – que pode ser transliterado como um comportamento agressivo entre estudantes, de ordem moral, física e verbal. É realizado por vários estudantes tendo apenas um como alvo e ocorre tanto dentro quanto fora da sala de aula. O bullying é um fenômeno mundial. Estima-se que cerca de 50 % das pessoas em idade escolar já foram vítimas de bullying e que cerca de 10% sejam vítimas regulares. É um fenômeno mais comum entre meninos, sendo realizado com ameaças e atos físicos. Nas meninas, o bullying é mais raro, sendo de ordem prioritariamente verbal, havendo exclusões e difamação.

Os agressores tem como características serem estudantes hostis, que se vêem como superiores e acreditam na impunidade de seus atos. Esses estudantes costumam vir de famílias violentas e, não raro, podem ter sido vítimas de bullying. Podem apresentar desvios de conduta e TDAH.



As vítimas costumam ser estudantes tímidos, quietos, inseguros, com poucos amigos e poucas habilidades sociais. São em geral fisicamente mais frágeis. São comumente alunos novos na escola, ou ainda de raça ou religião diferentes. As testemunhas desse fenômeno também merecem atenção: os colegas geralmente não defendem a vítima de bullying por medo de se tornarem alvo do grupo agressor, sendo, portanto, alvos indiretos. Isso termina gerando um ambiente escolar extremamente hostil.

É importante salientar que as vítimas não procuram ajuda por não acreditar na punição dos agressores, já que é comum a comunidade escolar, a minimização do problema, fazendo com que ele seja perpetuado.

Em um momento no qual a rede de computadores se torna parte da vida dos alunos, uma subcategoria de bullying chama a atenção de especialistas. O cyberbullying caracteriza-se por ofensas e difamações em salas de bate papo, email, sites de relacionamento etc. Não é raro que os agressores utilizem imagens ou vídeos. O cyberbullying geralmente acompanha o bullying, é um adicional.
           
O bullying causa sofrimento à vítima e tem como conseqüências a queda de desempenho escolar, baixa auto estima, resistência para ir à escola e, em casos mais graves, depressão, pânico e fobia escolar. Para ajudar na identificação do problema, o professor deve ficar atento a alunos que cometem frequentemente atos como: apelidar, ameaçar, ofender, agredir, hostilizar, humilhar, descriminar, excluir, isolar, intimidar, perseguir, assediar, furtar ou quebrar objetos pessoais.

Cabe ao profissional da educação procurar identificar precocemente o problema, focar sua atenção sobre as atitudes dos alunos, além de trabalhar com a informação e a conscientização da comunidade escolar, estimulando o conhecimento sobre o bullying. Se necessário, em casos mais graves, cabe ainda fazer o encaminhamento médico e psicológico dos agressores, das vítimas e das testemunhas.
           
Programas anti-bullying podem ser muito úteis no sentido de orientar pais, alunos e professores, procurando estratégias e propondo medidas de controle de comportamento. Pode-se promover debates, criar comitês etc. É fundamental que o professor procure tornar o ambiente agradável, seguro e acolhedor. Cabe ao professor trabalhar com os alunos para desenvolver o respeito mútuo. Para a prevenção e controle do problema o professor não deve acreditar na impunidade, não deve tolerar o fenômeno, deve estimular denúncias, fornecer auxílio profissional aos agressores, às vítimas e às testemunhas.

Violência e Educação

A primeira questão que se coloca quando alguém se propõe a trabalhar o tema é que, e isso é da própria natureza da violência, ela tende a desorganizar os discursos. Ela instaura o silêncio, no emudece. Não é fácil falar sobre esse tema. Geralmente quando nos vemos diante de uma situação em que nos confrontamos com a violência é comum frases como: “- Não sei o que falar numa hora dessas...” ou: - “Eu não tenho palavras...”

Tudo isso em virtude da perplexidade que se instaura diante dessas situações. É comum termos a sensação de que a violência se espalhou de forma inequívoca por toda a sociedade. Que ela é uma fatalidade, que tomou conta de todos os espaços.

 Lembrando uma fala de José Saramago em seu brilhante Ensaio sobre a cegueira: “Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.” Já que constatamos que o tema é espinhoso, difícil de lidar, é importante cuidarmos para que ele possa receber uma atenção especial. E ainda, para fazer jus à grandiosidade do autor, não poderíamos deixar despercebida a duplicidade do termo ‘reparar’, que pode, ao mesmo tempo, fazer referência a prestar atenção, olhar atentamente, pode também sugerir uma intervenção, no sentido de consertar algo que não está ‘funcionando’ adequadamente.

A idéia é identificar o que ocorre realmente, buscando palavras para que se possa fazer um ‘diagnóstico’, identificando possíveis causas e procurando mecanismos para ‘reparar’ o que está necessitando de reparos. Ao mesmo tempo em que temos que pensar naquilo que a escola pode fazer para contribuir para a solução do problema, temos que ter a precaução de não acreditar que é uma incumbência da escola resolver um problema que não é de sua ‘competência’, tendo assim, o cuidado para não contribuir para a sobrecarga de demandas no âmbito escolar.


De que violência você está falando quando se queixa de violência?

Geralmente quando os agentes escolares fazem queixas sobre violência, essas vêm de forma difusa, o que dificulta o primeiro movimento de diagnóstico do problema. A diversidade de situações que são abarcadas dentro do mesmo tema é um agravante para a realização de uma anamnese. Enquadra-se desde um gesto de desrespeito até agressões físicas, passando por muitas variantes, como sendo todas simplesmente violências. Quando alguém se queixa de uma escola “extremamente” violenta, está se referindo a uma infinidade de ações enquadradas todas sob o mesmo rótulo.

Uma idéia muito presente no mundo escolar, relatada em uma tese de mestrado recente, de autoria de Paulo Neves, é a de que atualmente “as meninas estão piores do que os meninos”. A dimensão é a das brigas entre as meninas, o que perturba uma ordem instituída e difunde a idéia de que a violência tomou conta da sociedade e, que, agora, é protagonizada pelas meninas.



Por outro lado a escola não pode deixar de olhar ou reparar nas questões de violência familiar, assumindo, assim, o papel de interagir dialogando, quem sabe, com o conselho tutelar, com outros familiares etc.

Há muitas queixas, também, com relação à violência que é estrutural, que é sistêmica. Que é da natureza própria da instituição Escola. É comum vermos instituições em que os diretores, os coordenadores se vêem isolados, e, portanto, tornam-se ineficazes na realização de suas tarefas. Em casos assim, nem os professores, nem os alunos conseguem cumprir com seu papel.

Podem a ética e a cidadania ser ensinadas?

Apesar de soar como um tema novo, “a educação para a virtude” ou a educação de valores está presente em nosso cotidiano desde a Grécia antiga. Aristóteles, n’A Política, diz que “Os homens tornam-se bons e virtuosos de acordo com três fatores, e estes são a natureza, o hábito e a razão.” Entendamos aqui a natureza como o caráter de cada um, sua ‘natureza’, por hábito, entendamos a disposição para fazer sempre, ou simplesmente o modo de vida de cada um. Por razão entenda-se o Logos, ou a racionalidade.

“Por isso é necessário preparar-lhes a formação e o cultivo dosa hábitos”. E para concluir, diz que “ao legislador incumbe, sobretudo, o cuidado da educação...”.

Uma sociedade democrática forma cidadãos democráticos, enquanto que uma educação democrática habilita os cidadãos para aperfeiçoar essa democracia. Aristóteles não é o único a se debruçar sobre o tema na Grécia antiga. Poetas, tragédias e filósofos se dedicaram ao tema.

Um guerreiro grego antigo tinha sua excelência técnica e sua ‘virtude’ herdadas, ou dos pais ou dos deuses. Não se concebia que um guerreiro pudesse aprender a arte da guerra. Assim se dava também com relação aos valores morais, nos tempos de Homero, que eram herdados pela nobreza do sangue ou por vocação doada pelos deuses. A idéia de que a educação pode formar um cidadão só ganha relevância com o advento da democracia, quando a Polis deixa de ser Aristocrática e passa a ser democrática.

É possível traçar um paralelo com a educação no Brasil, pois até quando, mesmo em São Paulo, que é um grande pólo financeiro, menos de 15% da população tinha acesso à 5 série, não se debatia a educação para valores. Essa possibilidade de se educar para a cidadania e democracia só ganha relevância quando se universaliza o direito à educação.

Sócrates, por sua vez, aparece em diversos diálogos, reagindo com certo ceticismo à proposta dos sofistas, que diziam ensinar as virtudes. Isso poderia nos levar a concluir que Sócrates não acreditava na possibilidade do ensino da virtude e dos valores. No entanto, o professor José Sergio Carvalho, da Faculdade de Educação da USP, nos mostra um trecho da Apologia de Sócrates, texto de defesa, por ele proferido em seu julgamento, em que o acusavam de corromper a juventude. Sócrates afirma, justificando ter trabalhado incessantemente sem acumular bens, “dirigindo-me sem cessar a cada um em particular, como um pai ou um irmão mais   velho, 
para persuadir a cuidar da virtude”.

Em outro trecho do mesmo texto, Sócrates interroga Cálias, perguntando-se quem seria o treinador mais indicado para aprimorar as qualidades adequadas a um filho: –“Quem é mestre nas qualidades de homem e de cidadão? (...)Quem é, tomei eu, de onde é? Quanto cobra?” Ao qual o interrogado responde: - “É Eveno, ó Sócrates, de Paros, respondeu ele, por cinco minas.” Sócrates então, se diz “com inveja desse Eveno, se é que é senhor dessa arte e leciona a tão bom preço”. Com sua famosa e requintadíssima ironia, Sócrates questiona o valor cobrado, sugerindo que, um trabalho tão nobre não teria preço ou deveria ser destinado a todos...

Em seguida, o professor José Sergio traz um recorte de uma fala de Protágoras, adversário de Sócrates, em que ele afirma que toda a sociedade conjuga “esforços para que o menino se desenvolva da melhor maneira possível. Toda palavra, todo ato lhes enseja ensinar o que é justo, o que é honesto e o que é vergonhoso... (...). Depois o enviam para a escola e recomendam aos professores que cuidem com mais rigor dos costumes do menino do que do aprendizado das letras e da cítara.”

Desses trechos podemos compreender que o ensino da ética é dever comum a todos que trabalham na escola. E acrescenta, exemplificando com as ‘especialidades’ ou disciplinas curriculares que “... quando o  aluno começa a ler e começa a compreender o que está escrito... dão-lhe a ler obras de bons poetas... prenhe de conceitos morais...” e segue dando exemplo dos “professores de cítara: envidam esforços para deixar temperantes os meninos e desviá-los da prática de ações más”.
 
A partir desses fragmentos podemos retirar uma grande lição, muito útil nos dias atuais, pois para Protágoras, o ensino da ética não se desvincula do ensino dos conteúdos curriculares, posto que é pela prática não discursiva que o professor ensina ética. Não se ensina alguém a gostar de música dizendo: goste de música. 


Quem quer que o outro desfrute de uma boa música deve mostrar músicas de boa qualidade e deixar que o outro sinta o prazer da fruição artística. Ou seja, não adianta dizer ao aluno: sejam éticos. É necessário dar-lhes exemplos. Mostrar a ética na práxis.

E esse ensinamento nos chega com força máxima por Aristóteles, em sua Ética a Nicômano, quando afirma que “a ética provém do hábito”, ou quando diz que “realizando ações justas ou sábias ou fortes tornamo-nos sábios, justos ou fortes”. Ou seja, se quisermos “ensinar” solidariedade, não é possível fazê-lo afirmando a definição de solidariedade, é preciso dar exemplos, e principalmente, é preciso cobrar dos mesmos que ajam, que pratiquem a solidariedade.

Por fim, o professor busca em Pe. Antônio Vieira sua referência final para o tema. No Sermão da Sexagésima reflete sobre a teoria e a prática afirmando: “Reparai: (...) entre o semeador e o que semeia há muita diferença: (...) o semeador e o pregador é o nome; o que semeia e o que prega é a ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador.” “Hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras” e concluindo: “Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras”.

Sexualidade e prevenção de risco

Tratando da temática da sexualidade na escola, deve haver uma preocupação da instituição escolar com os riscos de gravidez na adolescência e de transmissão de DSTs e AIDS nessa faixa etária. A sociedade tem se alarmado com os crescentes números dessas ocorrências e, essa situação já se tornou questão de saúde pública.

Uma questão polêmica refere-se ao acesso dos alunos aos preservativos na escola. Existe a idéia de que o acesso à preservativos pode fomentar a prática sexual dos adolescentes. As pesquisas, no entanto, mostram que os jovens partem para a prática sexual mesmo com ausência de preservativos.



Outra discussão importante refere-se ao uso de dinheiro público para a aquisição desses preservativos. Os opositores alegam que os jovens brincam com os preservativos, sem utilizá-los para seu verdadeiro fim. Em contrapartida, os especialistas afirmam que os jovens devem familiarizar-se com os materiais antes de utilizá-los em sua prática sexual, já que o manejo descomprometido leva a uma maior intimidade com os preservativos.

É recomendada aos professores a realização de dinâmicas que visem facilitar aos alunos o contato com preservativos e também com a questão afetivo-sexual. É importante a troca de conceitos que levem a aulas de sexologia, nas quais os alunos aprendam noções de biologia, pela idéia de conversas sobre afetividade, ampliando o conceito de sexualidade nas escolas. Um exemplo dessa ausência de educação sexual se reflete no grande número de meninos que não assumem suas responsabilidades nos atos sexuais, tanto no cuidado contraceptivo   quanto   na   assunção de 
responsabilidades nos casos de gravidez.

Existe um projeto de lei que propõe uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação para disponibilizar preservativos nas escolas da rede pública. É uma iniciativa proposta de “cima pra baixo”, ou seja, sem consultar os profissionais da educação. Por isso, um amplo debate sobre sua implementação e as conseqüências dessa iniciativa desse ser iniciado, para que os professores tenham subsídios para lidar com essa situação.

Sexualidade na escola

Falar em saúde na escola requer que falemos da temática da sexualidade, incluindo também o tema da afetividade. O profissional da educação enfrenta muita dificuldade no trato com esse tema, principalmente por conta de preconceitos, tabus e pudores dos próprios alunos, que muitas vezes deixam seus professores com a sensação de estar falando sozinhos quando esse tema é abordado. O tema vem se fazendo cada vez mais pertinente, por conta dos altos índices de gravidez na adolescência e da igualmente alta taxa de abortos.
           
É importante salientar que a sexualidade não é exclusividade dos adolescentes, sendo presente desde o nascimento. Desde os primeiros meses de vida, diferentes zonas corporais proporcionam gratificações de prazer diferentes. Nos primeiros anos de vida, a criança encontra-se na fase oral, quando a principal fonte de prazer e descoberta do mundo é a boca. Por volta dos 18 meses, inicia-se a chamada fase anal, que vai até os 4 anos. Nesse momento, há o controle do esfíncteres anal e fecal, zona que mais proporciona prazer.

Dos 3 aos 5 anos, ocorre a chamada fase genital infantil, quando a criança começa a perceber seu corpo e a diferença entre os sexos. Dos 6 anos até a puberdade dá-se a chamada fase de latência da sexualidade. A partir da puberdade, o indivíduo encontra-se na fase genital adulta. É comum que se confunda adolescência e puberdade. A adolescência é a fase da vida entre a infância e a fase adulta. É um conceito cultural, que marca a ressignificação identitária do indivíduo. A adolescência marca três lutos: o luto pela perda do corpo, pela perda dos pais na infância e pela perda da identidade infantil. Por sua vez, a puberdade tem caráter biológico e físico, marcando o amadurecimento da função reprodutora.

A adolescência pode ser dividida em três fases e essas fases são diferenciadas pelo fator gênero. Para as meninas, a adolescência tem início entre os 11 e os 13 anos, enquanto que, para os meninos, a adolescência começa entre os 12 e os 14 anos. A principal questão que envolve essa etapa, para os adolescentes, refere-se à normalidade das transformações físicas e a redefinição dos modelos de relacionamento e é a fase durante a qual ocorre a maior parte das transformações físico-biológicas.

O meio da adolescência é marcado pelas últimas transformações físicas e é quando ocorre uma assimilação maior do papel do adolescente na sociedade. Essa fase ocorre por volta dos 13 aos 16 anos, nas meninas e dos 14 aos 17 anos nos meninos. O grande conflito nessa fase é o desejo da criação da independência em relação aos pais aliado à insegurança de perder esse elo familiar.

O fim da adolescência ocorre dos 17 até os 21 anos, em média. Acontece após a consolidação da última etapa do desenvolvimento físico e é marcado pela maturação da identidade sexual, pela prática de relacionamento íntimo, pelo amadurecimento da identidade adulta e por uma esperada independência material.

Como práticas sexuais comuns da adolescência é possível citar a masturbação, que deve ser considerada um elemento não-patológico, preocupante somente quando o adolescente não consegue realizá-la por algum fator psicológico, ou quando a realiza em excesso. Outra prática comum é o       “ficar”, que é um relacionamento caracterizado pela superficialidade, pela ausência de fidelidade e de compromisso.

O namoro, outra prática comum, é definido pela fidelidade, pela responsabilidade com o outro e com a relação. Estatisticamente, é preferência das meninas. A virgindade é um tema muito recorrente na adolescência: para os meninos, a primeira relação sexual deve ocorrer o mais cedo possível e a quantidade é o ideal. Para as meninas, a virgindade é muito valorizada e sua perda é geralmente mais tardia.

O período marca um enorme questionamento sobre a identidade sexual, o que pode gerar uma homossexualidade passageira, ligada a auto-erotização e à definição das atividades heterossexuais. Há ainda a ocorrência de relações sexuais forçadas que não se limitam ao ato sexual, o problema é mais abrangente do que a violência sexual. Quando ocorre com meninas, acontece mais com um amigo ou homem da família. Com meninos, é mais frequente que as parceiras sejam amigas, muito dificilmente adultas.


O papel do professor nesse quesito é o de garantir a passagem à vida adulta de maneira segura, tanto no âmbito sexual, quanto na autonomia psicológica do aluno. Por isso, é importante abrir um espaço de discussão em sala de aula.

Mas... como abrir um espaço pra discutir a sexualidade na escola?

A dimensão afetiva na construção de valores

Piaget, em artigo publicado em 1953, estabelece relações entre o  desenvolvimento da inteligência e a afetividade, colocando, num primeiro momento, a afetividade como o combustível, como um aspecto motivacional, para o desenvolvimento da cognição. Para Piaget, a afetividade não tinha o poder de modificar as estruturas cognitivas, seria apenas um elemento de estímulo, secundário, e não estrutural.

Este artigo impulsionou uma série de novos estudos sobre o tema e, influenciado por ele, um autor espanhol, Mario Carretero, escreve que “tanto a cognição quanto a afetividade têm motor e combustível”. Equiparando essas duas dimensões em nível de igualdade. A afetividade passa a ser, então, vista como um dos aspectos organizativos do psiquismo.

 A professora Valéria Arantes realizou uma pesquisa criando a seguinte situação: em uma atividade com educadores, propôs um conflito moral em que uma professora encontra um aluno fumando maconha no banheiro. Antes de apresentar essa situação, a coordenadora da pesquisa dividiu os pesquisados em três grupos, para, em seguida, induzir o primeiro grupo a ter sentimentos ‘bons’, o segundo, a ter sentimentos ‘negativos ou  ruins’ e o terceiro não sofreu indução sentimental.

Analisando as respostas, pôde-se constatar que o grupo estimulado a ter sentimentos bons propôs uma postura ativa da professora e o segundo grupo propôs uma postura mais passiva, em que, a professora deveria fingir que não percebeu o problema ou que deveria passar o problema para outras instâncias.

Essa pesquisa comprova a importância da dimensão afetiva em sua relação coma dimensão cognitiva. A partir dessa constatação podemos perceber que a afetividade influencia diretamente a postura que tomamos em relação a qualquer situação.

A título de exemplo, podemos estudar os sentimentos Vergonha e Culpa. Como diferenciais, podemos colocar a vergonha como um sentimento que está intimamente relacionado à forma como o outro me vê, ou seja, sentimo-nos envergonhados quando somos vistos de uma forma que não gostaríamos, enquanto que a culpa está mais relacionada à auto-avaliação do sujeito, ou seja, sentimos culpa quando avaliamos ter feito algo que vai contra nossos valores. Por outro lado, quando estamos envergonhados, desejamos escapar da situação que nos deixa com esse sentimento, ao passo que a culpa nos faz desejar a confissão e o pedido de desculpas.

A despeito dessas diferenças, temos muitos aspectos comuns a esses dois sentimentos, que são muito importantes para os estudos da ética e dos valores. Ambos são sentimentos morais, ou seja, estão ligados à moralidade do sujeito. Ambos são sentimentos negativos, uma vez que as pessoas não gostam de se sentir assim. São, além disso, atribuições internas, que permeiam o mundo interior dos sujeitos, mas, ao mesmo tempo são vividas nas relações interpessoais e, por fim, ambos atuam como reguladores dos valores morais.

Em muitos estudos sobre a moralidade esses sentimentos surgem como tema devido a sua importância na regulação dos valores morais. Pensemos, por exemplo, em um sujeito que não consegue permanecer em um quarto escuro e que, ao sair de lá, sente-se envergonhado. Podemos concluir que, para ele, o valor Coragem é central e, que, a vergonha é o que demonstra que ele agiu contra esse princípio contra esse valor. Nesse caso a vergonha é de si mesmo pois, mesmo que ninguém o tenha visto nessa situação, ele sabe. E como não cabe aqui um pedido de desculpas, não se pode falar que ele se sentiu culpado.

A professora Viviane Pinheiro realizou uma pesquisa com estudantes de escolas públicas e particulares acerca dos sentimentos de culpa e vergonha com relação a conflitos morais. A professora apresentou a seguinte situação: um aluno está mal em uma dada disciplina e, no final do ano ele está prestes a ser retido. Ele pede ajuda a um colega e este se recusa a ajudá-lo.

Em seguida, a pesquisadora organizou as respostas em categorias onde surgem ou não os sentimentos de culpa e/ou vergonha e em que se avalia o valor Generosidade. O primeiro grupo não envolveu sentimentos de culpa/vergonha e nem aparece  o valor generosidade, pois em todas as falas, a pessoa questionada não ajudaria o amigo e não se sentiria culpada por isso. O segundo grupo, ao contrário, envolveu os sentimentos de culpa/vergonha por ter ido contra o valor Generosidade.

Estudos como este mostram que os sentimentos devem ser objeto de estudo se quisermos uma educação de valores. Não podemos negar a importância de se trabalhar esses temas em sala de aula, até para que nossos alunos possam reconhecê-los e refletir sobre eles.

É muito comum a escola minimizar os vínculos de amizade entre os alunos e, graças a estudos como esse, sabemos que isso tende a prejudicar o ambiente escolar como um todo e, principalmente, no trabalho com valores. É necessário que se estimule a “tolerância”* e o respeito à diversidade, incluindo-se aqui, a diversidade de respostas aos conflitos morais, uma vez que cada sujeito está formando seus valores de acordo com as situações vividas, dentre outros, no ambiente escolar. Por fim, é necessário que se estimule um ambiente feliz, em que os sentimentos positivos sejam estimulados, levando, assim, à resolução harmoniosa dos conflitos morais para um mundo mais justo e solidário.



* O termo tolerância, está entre aspas por eu, Monahyr Campos, ser cauteloso com relação ao seu uso nesse contexto. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, Tolerância, sf, significa “ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência”.

Dimensões constitutivas do sujeito psicológico

Uma questão muito presente no cotidiano do educador que é com relação a quem é o aluno?

Para respondermos minimamente a essa pergunta precisamos conhecer um pouco o conceito de sujeito psicológico. É possível enumerar os fatores conscientes e os não-conscientes em um esquema de sujeito psicológico. No campo consciente, temos a dimensão biológica, cognitiva, afetiva e os sócio-cultural. Essas dimensões interagem como o meio, que é formado pela dimensão física, pela interpessoal e pela cultura.

É importante frisar que, quando se fala aqui em campo não consciente, não nos referimos ao inconsciente da teoria psicanalítica. Para exemplificar a diferença podemos pegar a fala: ao falar, fazemos uma infinidade de movimentos não conscientes (desde o movimento labial, retrações e circunvoluções da língua, até a intensidade da respiração), enquanto que, uma fala inconsciente envolve o não controle sobre o conteúdo daquilo que é comunicado.

A dimensão biológica está relacionada ao orgânico, corpóreo. A dimensão afetiva está intimamente relacionada aos afetos, aos sentimentos e aos valores. A sócio-cultural é aquela que herdamos do meio em que vivemos, passando a contribuir para sua transmissão através da comunicação, principalmente. Por fim, temos a dimensão cognitiva, que é a parte intelectual.

É muito comum especialistas olharem atentamente para uma dessas dimensões e, a partir dela, tirarem conclusões sobre o todo. Por exemplo, podemos lembrar determinadas especialidades médicas que visualizam apenas a dimensão biológica e, daí tiram conclusões se reportando ao sujeito como se o conhecesse um todo. Nosso aluno não é apenas um cérebro, não apenas uma criança que não quer participar das atividades, assim como não é apenas um aluno fadado ao fracasso por ter pais sem estudo etc. Cada dimensão, isoladamente, não determina o comportamento do sujeito.

 A compreensão dessas dimensões constitutivas do sujeito psicológico é uma importante aliada para que possamos trabalhar no sentido de contribuir para a formação do sistema de valores de nossos alunos.

Retardo mental e autismo

Quando o assunto é retardo mental e autismo, é comum que os pais procurem uma avaliação  portando dois sentimentos paradoxais: o medo e o anseio pelo diagnóstico. O anseio lhes proporciona certo alívio, por ter uma resposta clínica. O medo é gerado pelos desafios no lide com aquela criança.
           
O retardo mental caracteriza  pessoas com habilidades mentais abaixo da média, com o início do déficit antes dos 18 anos. O portador tem problemas no estabelecimento da rotina diária, na comunicação, na interação social, nas habilidades motoras, nos cuidados pessoais e na vida acadêmica. Os profissionais dividem o retardo mental em três níveis básicos: leve, moderado e grave.
           
No retardo mental de nível leve, o portador tem atrasos na linguagem, mas consegue se comunicar, conseguindo expressar-se, tem independência nos cuidados pessoais, conseguem estudar, ainda que com algumas limitações, conseguem ter vida independente, muitas vezes casar-se e manter um emprego. No retardo de nível moderado, o portador já apresenta dificuldades na compreensão da linguagem, nos cuidados pessoais, precisam de ajuda por toda a vida e tem limites no âmbito acadêmico.

Os portadores de retardo mental grave apresentam graus maiores de prejuízo motores, intelectuais e funcionais, déficits auditivos e visuais. Precisam de cuidados por toda a vida. A frequência dessas crianças em escolas visa mais o desenvolvimento da socialização e não da alfabetização ou do desenvolvimento acadêmico. Um fator fundamental para o sucesso do tratamento de retardo mental é a identificação precoce. Um tratamento desse tipo, para uma doença que não tem cura, visa à suavização dos sintomas da doença, ou seja, o trato com as conseqüências psicomotoras, o uso de estímulos favoráveis e o treinamento de pais e professores. A escola deve promover a melhor estimulação possível, buscando a melhora da qualidade de vida para todos.

Sugestão de leitura: http://www.indianopolis.com.br/si/site/1124 

O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, com prejuízos na interação social, atraso na aquisição de linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. É um transtorno mais comum em meninos. Seu diagnóstico é feito quando o portador tem, em média, 2,5 anos de idade. Nesse período, a criança não fala, não interage, evita contato visual, evita a voz humana, evita afeto e não brinca. Com um pouco mais de idade, o portador realiza brincadeiras estereotipadas, cheira e lambe objetos, tem fascinação por luzes, se incomoda com mudanças na rotina, responde a desagrados com agressividade, tem inteligência e linguagem limitadas.

Na escola, essa criança não brinca, não tem interesse, realiza atos repetitivos e apresenta ataques de raiva com mudanças na rotina. O tratamento do autismo, assim como do retardo mental não visa curá-lo, mas minimizar seus efeitos. O tratamento deve ser individualizado com interações conjuntas. Acompanhamento dos pais, terapia comportamental, treino de habilidades sociais, medicações que lidem com as conseqüências da doença. A educação deve ser direcionada para  a  melhoria da interatividade do sujeito.


Sugiro assistir ao documentário Do luto à luta de Evaldo Mocarzel

TDAH



Um dos transtornos mais comuns verificados na escola é o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ou TDAH. Trata-se de um transtorno de ordem comportamental e neurobiológica, de causas genéticas e ambientais, que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda a vida, causando sofrimento ao seu portador e aos familiares, visto que esses transtornos causam prejuízos acadêmicos e nos relacionamentos interpessoais. Suas maiores características são a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade.
           
A desatenção é a dificuldade em ater-se a detalhes. A criança não escuta, distrai-se com estímulos alheios, não tem organização, comete erros por descuido, não segue instruções, não termina tarefas e perde coisas importantes.

A hiperatividade dificulta o envolvimento dessas crianças em atividade silenciosas, elas estão sempre agitadas, movem-se muito, tem dificuldade de ficar sentadas, correm exageradamente e  falam demais.    Com a impulsividade, a criança dá respostas precipitadas, não aguarda sua vez, interrompe conversas alheias e tem dificuldade em manter-se em ordem. É uma criança que muitas vezes  age agressivamente.

O TDAH acomete de 5 a 13% de crianças em idade escolar e pode persistir na vida adulta, sendo mais comum em meninos. Seus tipos são: o TDAH predominantemente desatento, o TDAH predominantemente hiperativo-impulsivo e o TDAH combinado.
           
O TDAH predominante desatento acomete geralmente meninas atrapalhando na escola e nos relacionamentos sociais. São crianças desorganizadas, distraídas, esquecidas, isoladas socialmente e  com baixo nível de habilidade social. Essas crianças costumam relutar em participar de atividades em grupo.

O tipo predominantemente hiperativo-impulsivo caracteriza crianças agressivas, rejeitadas pelos colegas, por conta dessa agressividade, são agitadas, inquietas e impulsivas. O perfil de TDAH combinado é o perfil clássico de TDAH: causa prejuízo global à criança, tanto do ponto de vista acadêmico quanto do ponto de vista social. São crianças que sofrem alta rejeição por parte dos colegas, pois tem dificuldade em fazer planos e de realizá-los, além dos demais sintomas.

É comum que os pais tenham dificuldade em perceber que os filhos são portadores de TDAH, sendo na escola o lugar onde geralmente os primeiros indícios são detectados. Por isso, é importante que os professores estejam atentos aos sintomas, para que possam propor encaminhamentos à profissionais gabaritados para o correto diagnóstico.

Os principais sintomas de TDAH são: alterações nas habilidades lingüísticas, falta de noção de espaço, dificuldade em reconhecer símbolos gráficos, dificuldade de concentração, pouca coordenação motora e dificuldade de terminar tarefas. O diagnóstico médico deve envolver os pais, a criança e a escola, abarcando todos os contextos da vida da criança, para que não sejam feitas precipitações, pois existem casos de TDAH situacional, quando a criança desenvolve sintomas em somente alguns aspectos da vida, situação que exige cuidados específicos.

As causa de TDAH são diversas, abarcando fatores genéticos, biológicos e psicossociais. Suas conseqüências são: baixo rendimento escolar, baixa autoestima, dificuldade de se relacionar, tristeza, depressão, uso e abuso de álcool e drogas (no caso de portadores jovens e adultos). Na vida adulta, não é incomum encontrar portadores inseguros e com baixa habilidade social.

O tratamento deve abordar todos os aspectos da vida do portador, tomando o cuidado de ser específico em cada caso. Medicamentos, psicoterapia, envolvimento da família e da escola são alguns modos de tratamento. Na escola, cabe ao professor atuar no auxílio, envolvendo família, escola e alunos. O professor deve ajudar os alunos portadores de TDAH, procurando desfazer rótulos e melhorar sua autoestima. Planejar aulas e programas (organizar calendários) é uma boa maneira de mostrar formas de organização aos alunos, ajudando-os a se organizar. O professor deve ainda procurar premiar atitudes adequadas, ajudar os alunos no controle da impulsividade e envolver os pais no processo educacional, orientando-os.

Pesquisas em educação e valores


Os aspectos conscientes do sujeito psicológico que se inter-relacionam para formar o juízo de valores são:  biológicos, cognitivos, socioculturais e os afetivos. Retomando a definição de que os valores podem ser representados por tudo aquilo de que a pessoa gosta e, tudo aquilo que a pessoa não gosta pode ser tratado como contravalores, relembramos que os sujeitos têm papel ativo na construção de valores e, portanto, esses valores podem ser morais ou não.


A partir desse raciocínio torna-se compreensível o fato de que a moralidade não se guia apenas pelo princípio da justiça.

A moralidade está integrada à identidade do sujeito e os valores que a constituem vão se constituindo como centrais e/ou periféricos no sistema moral do sujeito, dependendo das situações.

Podemos pegar como exemplo uma situação em que dois amigos se vêm diante de um ‘dilema moral’: um amigo está indo mal na escola e precisa de ajuda do outro. Em um desdobramento possível dessa situação, pensemos nos valores Responsabilidade e Amizade. Se, para aquele que está em condições de ajudar, o valor responsabilidade falar mais alto, ou seja, for um valor central na constituição desse sujeito, ele pode simplesmente chamar seu amigo à responsabilidade e pensar que ser amigo nesse caso é deixar que o outro arque com as consequências de sua irresponsabilidade. Por outro lado, se o valor Amizade for o central para esse mesmo sujeito, ele poderá ajudar seu amigo, mesmo que isso possa ser visto como um estímulo à irresponsabilidade ou que isso possa representar uma atitude desonesta, se pensarmos até na possibilidade de trapaça na hora da avaliação.

Os sentimentos regulam os valores que constituem o sujeito e, como esses valores são integrados, eles se organizam hierarquicamente, formando o sistema moral. Como o sistema é dinâmico, a cada situação, eles podem se reorganizar de formas diferentes para responder àquela situação específica.

Como exemplo, podemos reavaliar o caso anterior, de um amigo que pede ajuda a outro. Pensemos agora nos valores Amizade e Generosidade e ainda, na Responsabilidade. Para atender ao pedido do amigo, o sujeito psicológico integrou os dois primeiros valores, colocando-os no centro, e realocou o valor Responsabilidade para a periferia de seu sistema moral.

Como essas constatações podem contribuir para a pedagogia na formação escolar dos sujeitos morais? Se compreendemos que o sujeito tem um papel ativo na construção dos valores e que a ética está intimamente ligada à adesão, por parte do sujeito, a um sistema, a educação desses valores não pode ser transmissiva, fazendo-se necessária uma pedagogia que estimule o papel ativo do sujeito na construção de seus próprios valores.

Por outro lado, a partir do momento que percebemos que os valores podem ser morais ou não e que a moralidade não se guia unicamente nem principalmente pela noção de justiça, faz-se necessário trabalhar com diversos valores, exemplificando-os e exercitando o juízo de valores dos alunos e alunas, de tal forma que desenvolvam a habilidade de integrar e realocar os valores de acordo com as situações. É preciso, portanto, trabalhar a construção e elaboração de valores de forma planejada, através de sequências didáticas e projetos voltados para sua formação nos sujeitos.

Se sabemos que os valores são regulados pelos sentimentos, precisamos, também, inserir a exploração e explicitação dos sentimentos e suas variantes dentro das diversas modalidades didáticas, para que, com isso, o(a) aluno(a) possa se conhecer melhor e aprender a lidar com os próprios sentimentos.

Distúrbios alimentares: anorexia, bulimia e obesidade

Falar de saúde na escola significa falar de nutrição. Nesse assunto, distúrbios alimentares são quesitos que devem ser considerados. Os alunos encontram-se em uma idade de risco para o desenvolvimento dessas patologias. Cabe ao professor saber reconhecer indícios desses distúrbios e orientar alunos e pais.

Os distúrbios alimentares têm causas multifatoriais: fatores psicológicos, biológicos, socioculturais e familiares. A adolescência é uma fase de alta vulnerabilidade destes distúrbios, que podem influenciar negativamente o crescimento. É uma fase de aumento da necessidade protéica e calórica, de vitamina C, de vitamina B12, de ácido fólico, de vitamina A e D.

Para evitar esses distúrbios e essas carências, deve-se tomar como parâmetro a pirâmide alimentar cuja base é a ingesta líquida, seguida da ingestão de carboidratos (65%), tendo acima deles a prioridade no consumo de vegetais e frutas. A ingestão de proteína vem logo em seguida e, na ponta, açúcar, gordura e sal.

Os distúrbios alimentares mais comuns são: anorexia e bulimia nervosas, transtornos alimentares não especificados, anorexia nervosa atípica, bulimia nervosa atípica, transtorno de compulsão alimentar periódica. Os transtornos alimentares têm como sintomas gerais a preocupação excessiva com peso e forma física, avaliação errada da própria imagem corporal, uso de dietas inadequadas, auto-avaliação negativa e descontrole do comportamento alimentar.

Essas doenças são de causas multifatoriais: genéticas, como decorrência de desequilíbrios nos neurotransmissores, desequilíbrios hormonais, de personalidade, alterações psiquiátricas, problemas familiares, condições socioeconômicas e ambientais.

A anorexia nervosa caracteriza-se por um medo mórbido de engordar mesmo estando abaixo do peso, com percepção distorcida de si mesmo. É um distúrbio que envolve a manifestação de um ideal de beleza. A bulimia (termo que significa fome de boi) nervosa caracteriza-se pela compulsão alimentar com freqüência recorrente. Por medo e culpa, a pessoa portadora desse transtorno recorre a  métodos compensatórios (vômitos, laxantes, diuréticos).

Desses dois distúrbios, a anorexia começa geralmente a partir dos 12 anos. Já a bulimia começa a dar seus primeiro sinais por volta dos 16 anos. Esses distúrbios têm alto índice de mortalidade, por conta da baixa nutrição muito grave em seus portadores. Esse tipo de distúrbio pede acompanhamento por toda a vida, já que recaídas são comuns. Seu tratamento deve ser realizado por uma equipe multiprofissional.
           
O outro oposto é a obesidade, que é o armazenamento excessivo de energia sobre a forma de triglicérides. Assim como a anorexia e a bulimia, é uma doença de causas multifatoriais: genéticas, comportamentais e ambientais. Os fatores ambientais são: excesso de comida, baixa perda calórica, alimentação inadequada e sedentarismo. Assim como o distúrbio, o tratamento também deve ocorrer de múltiplas formas: readequação alimentar, hábitos saudáveis e readequação física. Como a criança ou o adolescente aprende a comer em casa, o tratamento envolve toda a família.

Na escola, a ocorrência de casos de distúrbios alimentares atrapalha a aprendizagem da criança ou do adolescente. Por isso, é importante que o professor conheça e saiba identificar os distúrbios, para orientar os alunos, para incentivar e oferecer suporte àquele que precisar de ajuda.

Crescimento e desenvolvimento ponderal e hábitos alimentares

 Sabe-se que muitos são os fatores que influenciam o crescimento e desenvolvimento de uma criança ou de um jovem. Deve-se, por isso, procurar saber quais são esses fatores e como acompanhar o crescimento das crianças, ou seja, calcular sua curva de crescimento, para saber se está dentro dos parâmetros de normalidade. O crescimento é o resultado da maturação óssea e pode ser dividido em três fases: o crescimento na primeira infância, de 1 a 3 anos, o da segunda infância, de 4 a 8 anos e a terceira fase, do 9 aos 17 anos.

Na primeira fase ocorre um crescimento de cerca de 25 cm no primeiro ano de vida, 12,5 cm no segundo ano e 8,5 cm no terceiro ano de vida, em média. É o período de maior crescimento pós-natal na criança e suas influências diretas são resultado de uma nutrição adequada. A segunda fase é uma fase de estabilização do crescimento, quando ocorre uma diminuição do crescimento por ano. As crianças crescem, em média, de 4 a 8 cm por ano e os fatores que mais influenciam diretamente o crescimento são de origem hormonal.

Na terceira fase, dos 9 aos 17 anos, percebe-se a diferenciação no crescimento entre  meninas e meninos, por conta da maturação dos caracteres sexuais secundários, ou seja, a puberdade. Nas meninas, a puberdade se caracteriza pelo aparecimento do botão mamário, dos pêlos pubianos e pelo surgimento da menarca. Esse processo geralmente ocorre entre os 8 e os 13 anos, e o estirão puberal ocorre 6 meses antes e 6 meses depois da menarca. Nos meninos, o estadio puberal ocorre entre os 8 e os 14 anos, caracterizando-se pelo crescimento testicular, peniano, e pelo surgimento de pêlos pubianos. O estirão puberal ocorre tardiamente em relação às meninas, geralmente dois anos depois, sendo, entretanto, maior do que nas meninas.

Como método de análise de crescimento, é importante fazer uso do gráfico de estatura e peso, o IMC e a observação do surgimento dos caracteres sexuais secundários. É importante que toda a criança seja acompanhada no seu crescimento para que se possa avaliar alguma anormalidade, e assim, diminuir os riscos de problemas no desenvolvimento.

Existem fatores que influenciam diretamente o crescimento de uma criança. Percebe-se que atividades físicas adequadas e regulares, um bom sono e uma boa alimentação são fundamentais para um bom desenvolvimento infantil. Na estatura final, fatores genéticos e ambientais são colaborativos no processo de crescimento.
           
Para o cálculo da estatura final, pode-se fazer a projeção baseando-se na altura dos pais. Somando a altura dos progenitores e subtraindo 13 – para meninas – ou somando-se 13 – para os meninos. O resultado deve ser dividido por dois, obtendo-se então a altura alvo do indivíduo, com uma margem de 8 cm para cima ou para baixo.
           
Outro cálculo importante a ser feito é o de IMC para idade. Em crianças, ele varia de acordo com o sexo e a idade. Há uma diminuição do IMC desde o nascimento até os 4 ou 6 anos, em média, quando ele começa a estabilizar-se. Para o cálculo do IMC infantil, divide-se o peso pela altura em metros quadrados O percentil deve estar entre 5 e 85. Com percentil maior que 95, a criança está com risco de obesidade. Quando o percentil estiver entre 85 e 95, a criança está com sobrepeso. Com o percentil abaixo de 5, a criança está abaixo do peso, o que pode indicar desnutrição. Esse cálculo permite chamar a atenção para um problema que, na vida adulta, pode significar doenças cardiovasculares, obesidade, ou desnutrição.


Isso levanta uma questão importante, que deve ser levada em conta: o que os alunos estão comendo no recreio?

A construção psicológica dos valores


Retomando as idéias de Piaget, podemos afirmar que “os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior” e essas trocas se dão através da “projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmo.” A idéia de que os valores se referem a trocas afetivas e, de que eles surgem da projeção de sentimentos é uma idéia bastante nova e só pode estar vinculada a uma visão psicológica do estudo dos valores.

Partindo desse princípio, podemos deduzir que um valor é algo ou alguém de que ou de quem a pessoa gosta. A escola, por exemplo, para alguns é um valor, pois a pessoa gosta da escola, dos colegas, dos professores etc. Para outros, a escola não é um valor. A esses, é aceitável depredar, destruir ou pichar a escola.

Um bebê é cuidado desde antes do nascimento e a probabilidade de essa criança projetar valor positivo com aquele que cuida dela é grande. É possível, também, a pessoa projetar valores com relações, como por exemplo, aquele que vê com bons olhos a relação entre determinado marido e sua mulher, por ele ser gentil e educado com ela etc.

Por fim, as pessoas podem lançar um olhar positivo sobre si mesmo ou não. Há pessoas que percebem suas qualidades e gostam de si. Para essas pessoas ela é um valor para ela, enquanto outras não são um valor para si. É importante pensarmos também que esses valores são dinâmicos e podem mudar ao longo do tempo.

A construção da identidade do sujeito depende dos valores desse sujeito e, só em decorrência deles é que poderão aparecer os sentimentos morais como a vergonha e a culpa. Esses sentimentos são reguladores das relações intra e interpessoais e se manifestam quando o sujeito age contrariamente aos valores centrais de sua identidade.

Se, para uma pessoa, o valor central é a honestidade, por exemplo, a pessoa se sente culpada por dever a alguém e essa culpa não será aliviada até que ela pague o que deve. Para outra pessoa, o valor central pode ser a riqueza, o dinheiro e, sendo assim, a pessoa só terá alívio dessa sensação de mal estar se conseguir o dinheiro. Nesse caso, é perfeitamente aceitável que venha a roubar ou a matar, pois, o valor central justifica qualquer outra atitude.

O sujeito vai modular sua atitude de acordo com os valores que constituem a identidade de cada um. Um sujeito também pode ter, paralelamente a uma atitude de extrema honestidade para com uma pessoa, atitudes desonestas com outras. Dessa forma, a dinâmica dos valores de cada sujeito pode variar, não apenas em relação ao tempo, mas, em muitos casos, em relação a situações ou pessoas. É possível pensarmos no caso de uma pessoa corromper um guarda para não pagar uma multa de 150, 200 reais, mas devolver ao dono, intacta, uma carteira com várias notas de cem dólares.

Uma pessoa pode reformular os valores em função de qualquer acontecimento, como o nascimento de um filho, uma doença ou qualquer outro desencadeador. Não há idade para que se mude esses valores, podendo ser na infância, aos quarenta ou aos setenta anos de idade.

Tema para reflexão: A escola precisa determinar quais valores a escola pretende que sejam centrais na identidade das crianças?

Educação e ética

A ética na educação escolar envolve a interação entre a coletividade escolar, todos os envolvidos no processo educacional, ou seja, entre os alunos e os professores, alunos e alunos, professores e seus colegas e, entre todos esses e os demais integrantes da equipe escolar, sejam no meio administrativo ou executivo.

O primeiro ambiente de socialização que a criança experimenta é com a família, enquanto que, na escola, ela faz a transição para a vida em sociedade no sentido mais amplo. O primeiro grande conflito de socialização que se estabelece na escola é a dualidade ‘liberdade’ x ‘autoridade’. Essa dinâmica reflete um grande desafio para qualquer um que precisar trabalhar a ética em sala de aula, pois a ética só faz sentido se trabalhada através de exemplos. É pouco válido trabalhar a ética em termos abstratos e/ou teóricos.

No mundo antigo a ética confundia-se com virtude, sendo vista, no mínimo, como se fossem campos complementares. E o lugar preferencial para sua prática era a política, de onde se compreende que, por ética, entendia-se a busca pelo bem comum, pela “concórdia”. Ética e Moral refletiam nesse momento histórico a mesma significação, ou seja, os costumes e ações aceitas socialmente.

Atualmente entende-se a ética como sendo a adesão voluntária a determinadas regras sociais, enquanto que a moral é determinada pelo coletivo a qual se deve obediência. Em ambos os casos estaríamos falando da necessidade de nos colocar no lugar do outro e, o outro é sempre diferente.

A ética é sempre construída a partir do hábito, daquilo que é habitual e constante, e é no exercício diário que se faz as escolhas por comportamentos éticos ou não, em consonância ou não com aquilo que é socialmente aceito. É fundamental percebermos que estamos lidando com uma dimensão do saber que só é perceptível na ação.

Aristóteles, na obra Ética a Nicômaco, afirma que “A excelência moral, portanto, é algo como a eqüidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo”. E, para exemplificar, nos mostra situações em que o medo nos aproxima da covardia e, a ausência dele, da imprudência, pois sentir medo em relação a certas situações e de maneira apropriada é o melhor a se fazer, sendo, portanto, eticamente aceitável e até esperado.

Só é possível pensarmos em uma educação para a democracia, se tivermos em mente que é somos todos diferentes, mas temos a igualdade como condição e, portanto, o dever de zelar pelo direito do outro de ser diferente de mim.

Em Richard Sennett, 1988, p 323-4 , encontramos uma boa definição da relação entre cidade e civilidade, sendo aquela o lugar preferencial para o exercício desta, ou seja, “A cidade é o estabelecimento humano no qual os estranhos devem provavelmente se encontrar. A geografia pública de uma cidade é a institucionalização da civilidade”. Civilidade é, segundo o autor, a ação de forjar laços sociais com estranhos, a despeito dessa distância social, e das diferenças.

Para a criança, o educador é como que um representante de todos os adultos do mundo. É o modelo ideal de ‘cidadão’ em quem a criança se inspira para formar seus valores. A partir dessa constatação pode-se fazer referência a afirmação de Kant, na Fundamentação da metafísica dos costumes, em que ele afirma: “Age de tal maneira a tratar a humanidade, tanto em tua pessoa como na de todos os outros, sempre ao mesmo tempo como um fim, e nunca como um meio.” Também nos diz: “Age de tal modo que a máxima de tua ação possa transformar-se em lei de validade universal”.

Segundo o autor, se devemos agir após respondermos se nossa ação é passível de ser transformada em algo que possa ser feita por todos os demais. Às vezes avaliamos uma atitude pelo que ela nos trás de benefícios ou não, e nos esquecemos que, em muitos casos, deveríamos nos preocupar com a validade coletiva dessa mesma ação.

O pensamente ético deve estar pautado nas perguntas: Como e por que a ação é moralmente correta? Que critérios deve orientar o julgamento? O que devo fazer? E essa ação deve visar a felicidade de todos, a concórdia. Deve se tratar sempre de ações justas aos olhos da coletividade.

O professor jamais conseguirá trabalhar a ética com uma turma se não houver um acordo ou um ‘contrato’ pedagógico, em que cada grupo sinta-se participando da elaboração de seu currículo. E nesse contrato que reside a razoabilidade que deverá nortear as relações entre todos daquele meio social.

A escola como nós a conhecemos foi instituída não apenas para ensinar a ler e escrever, mas também veio para ensinar patamares de comportamento e, portanto, é sempre bom lembrarmos que há um currículo oculto em que se requer o trabalho de ensino da ética. Não podemos engessar os alunos e professores com um conjunto de regras em que eles não tenham contribuído para sua elaboração. Atualmente, a autoridade do professor se legitima não mais pela obediência do aluno, mas sim, pela adesão voluntária do aluno às propostas do professor.
É muito comum o professor ter atitudes de “intolerância”* para com determinados alunos, em virtude de própria dificuldade em lidar com as diferenças. Determinados alunos desencadeiam atitudes preconceituosas por parte do professor e, geralmente, esse professor não se questiona sobre as próprias dificuldades, jogando o foco de suas preocupações com o aluno e tudo aquilo que o faz diferente dos demais.


* O termo intolerância, está entre aspas por eu, Monahyr Campos, ser cauteloso quanto ao seu uso nesse contexto. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa, Tolerância, sf, significa “ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência”.