terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dislexia


Existem várias doenças neurológicas. A dislexia é uma das manifestações específicas de disfunção do cérebro, mas que não chega a ser doença.
A dislexia caracteriza-se por uma dificuldade primária do aprendizado, que sofre alterações quantitativas e qualitativas, podendo ser total ou parcialmente reversíveis. É um transtorno de aprendizagem muito comum em salas de aula, e está relacionado a aproximadamente 15% de toda reprovação escolar. Atinge, em média 3 a 4% de crianças em fase escolar.

Definição: Dislexia é um transtorno específico de leitura, caracterizado pela dificuldade no reconhecimento de letras, na decodificação e na soletração de palavras. Geralmente é identificada no período de aprendizagem do alfabeto, pois é um obstáculo ao sucesso escolar. As dificuldades permanecem até a idade adulta.

Características ou “sintomas”: Dificuldade da associação da letra ao som; troca de letras, leitura lenta e monótona com tropeços, principalmente em palavras longas. A escrita apresenta inversão de letras e erros de concordância.
Um aluno com dislexia apresenta atraso na ‘aquisição’ da linguagem, dificuldade para sua alfabetização, dificuldades para aprender e memorizar os nomes das letras. Geralmente, apresenta trocas de letras na fala, dificuldades para separar sons e palavras e, por consequência, para aprender a ler, a escrever e a soletrar. Apresenta dificuldades para acrescentar palavras novas ao vocabulário, para nomear pessoas e objetos.
Normalmente um disléxico tem muita dificuldade para aprender músicas com rimas. Dificuldades para pronunciar palavras corretamente. Dificuldades para seguir ordens e rotina, o que ultrapassa a vida diária da criança. Dificuldade no manuseio de lápis e de objetos pequenos e dificuldades para copiar o que está escrito (no quadro, por ex.).

Seu nível de leitura é abaixo da média. Dificuldades para compreender enunciados de avaliações e exercícios, textos e para entender conceitos abstratos. Tem dificuldade para memorizar tabuadas e mapas, cores e formas. Tendência para escrita em espelho.

Além desses aspectos linguísticos,  o disléxico apresenta dificuldades psicomotoras, como um certo atraso na estrutura do esquema corporal, ou seja, do conhecimento do próprio corpo, problemas com a lateralidade, que se manifesta em dificuldade pra diferenciar direita e esquerda, e para coordenar atividades motoras exercícios manuais, em brincadeiras e desenhos.

Esse conjunto de diferenças faz com que as crianças disléxicas vivam momentos difíceis em seu convívio na escola. Ela tende a ficar ansiosa e insegura, tende a se desinteressas pelos estudos e a perder a motivação, a curiosidade. Torna-se natural que tenha comportamentos agressivos com os colegas ou dificuldades nas relações sociais. Sofre uma baixa em sua autoestima.

Todo esse quadro gera dificuldades associadas à dislexia: Dificuldades na percepção e na memorização visual, dificuldades para se manter atento a algo, dificuldades no lide com números e atrasos no desenvolvimento da coordenação motora fina e global.

Essas dificuldades associadas são, em geral, conseqüências das questões lingüísticas inerentes à dislexia. Elas podem ou não estar presentes nos disléxicos. Com muita freqüência, o disléxico também apresenta TDAH, que é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Em média, 50% dos casos.


Possíveis causas da dislexia:
Existem possibilidades de que a dislexia tenha causa genética.
É possível, também, uma explicação neurológica, pois é sabido que, os disléxicos apresentam disfunções cerebrais em áreas que atuam mais diretamente no processamento da leitura e da escrita, gerando distúrbios de processamento temporal nas funções de percepção, armazenamento, nomeação, recuperação e acesso às informações.
Além disso, apresentam problemas no córtex visual, no giro angular esquerdo, no lobo temporal esquerdo e na área de Wernicke (que é a responsável pela linguagem).

É importante frisar que crianças com dislexia e crianças sem, têm cérebros iguais em tamanho e em distribuição estrutural. O que diferencia é a presença de falhas nas conexões cerebrais, gerando um mal funcionamento do lobo temporal.

Não cabe ao professor diagnosticar ou ‘atender’ as crianças com dislexia, mas, identificando o quanto antes ela for identificada, o tratamento tende a ter melhores efeitos. A qualidade e a intensidade de estímulos também interfere diretamente na melhora desse quadro.

Tratamento:
O tratamento deve ser feito por atendimento fonoaudiológico associado à psicoeducação, aulas de reforço individuais e psicoterapia.

Doenças Neurológicas


Historicamente vemos um envelhecimento da população mundial, o que se verifica, também, no Brasil, devido ao avanço das tecnologias e da medicina. Um dado comprobatório desse envelhecimento da população é a queda da relação de 6 idosos para cada 12 crianças com menos de 5 anos que se observava em 1981 para a de 6 idosos para cada 5 crianças em 2004.
As mortes por doenças infeccioso-parasitárias têm diminuído ao longo dos anos, devido ao controle das endemias e ao avanço nos tratamentos. Em contrapartida, mortes causadas por doenças controláveis ou por causas externas têm aumentado.
Entre as dez principais causas de mortes de brasileiros, temos o AVC, que é potencialmente previnível e controlável.

Dentre os fatores de risco que causam morte, o tabagismo ocupa o primeiro lugar. Em 2005, aproximadamente 6000000 de pessoas morreram devido ao tabagismo. Vivemos cada vez mais em metrópoles e regiões urbanas. É necessário cultivar o hábito da boa alimentação e da prática de atividades físicas. É dever do professor orientar seus alunos para evitar que essas causas externas continuem matando as pessoas.


O consumo exagerado de fast-food faz com que nossas artérias sejam preenchidas por placas de arteriosclerose, estreitando os vasos, diminuindo eu até impedindo a passagem do sangue. A exibição do documentário Super Size me, proporciona a reflexão dos estudantes sobre os efeitos da má alimentação.

Exemplos de doenças neurológicas.
Um homem com 65 anos, com tremores demãos, as juntas rígidas, andando com passos curtos e o rosto sem expressão tem baixa produção de dopamina, o que é causado pela doença de Parkinson.
A doença que causa a desmielinização do SNC em episódios e que atinge com maior freqüência mulheres jovens é a Esclerose Múltipla. Entre os episódios é possível que a pessoa atingida se recupere.
Senhora de idade que tem perda de memória recente e com dificuldades de adequação social sofre de doença de Alzheimer.
Um senhor de idade, tabagista, com pressão alta, fica, subitamente com o lado direito do corpo mais fraco, com a boca torta e com dificuldades na fala foi vítima de um AVC.

Um menino com 4 anos de idade, gripada e na escola tem uma convulsão e, portanto sofre de convulsão febril.
Um adolescente apresentou nos últimos 6 meses 4 episódios descritos como convulsão. Sofre de epilepsia, uma condição neurológica e, a convulsão é uma possibilidade de crise epilética.

Crescimento, maturação e plasticidade do SN


O crescimento tem despertado o interesse de muitos profissionais. De médicos a educadores.
O crescimento físico se reflete no aumento da altura, peso e massa corporal. Esse crescimento se dá em um ritmo acelerado até os oito anos de idade, depois há uma amenizada para, ocorrer o chamado Surto de crescimento, na entrada da puberdade. Crescimento físico avalia o aumento global do indivíduo, e não apenas o aumento de um dos fatores acima mencionados.



Características do crescimento nas diferentes fases da vida:
De 0 a 3 anos de idade – no primeiro ano de vida a criança dobra ou triplica seu peso e aumenta em 50% sua altura. Depois os ganhos são menores, porém significativos. O cérebro está em constante desenvolvimento. Atividades espontâneas, em um primeiro momento, como sugar ou sorrir, tornam-se mais complexas, por exemplo, andar e falar.

De 3 a 8 anos – nesse período o crescimento é estável, os ganhos de peso giram em torno de 9 kg ao ano, de atura,aproximadamente 7 a 10 cm ao ano. O sistema esquelético e a ossatura se enrijecem significativamente (desde que não haja qualquer anomalia ou carência alimentar). Há pouca diferença entre meninos e meninas com relação à estrutura muscular.
No final desse período começa a produção de Mielina, no cérebro. Ela é uma camada de gordura que envolve os neurônios e facilita a transmissão dos impulsos elétricos. Possibilita a conexão neural e promove o desenvolvimento das habilidades motoras. O córtex cerebral amadurece, possibilitando a sofisticação de desempenhos motores e cognitivos.
Os aspectos sensoriais continuam em desenvolvimento nessa fase (o globo ocular cresce até os 12 anos, aproximadamente). A expressão verbal (pensamentos e idéias) se desenvolve paralelamente com sua imaginação. Torna-se possível a associação de causa e efeito (por que) e do processo (como). A brincadeira é a forma mais eficiente de aprendizado para a criança, nessa fase.
Os aspectos afetivos presentes nessa fase são o egocentrismo, o receio de situação e a formação de autoconceito. É importante frisar que, em decorrência dessa formação, é importante que se elogie a criança quando ela fizer algo positivo.

De 8 a 12 anos – os ganhos de altura e peso são mais lentos e constantes. Há uma melhor organização dos sistemas sensório-motores e rápidos ganhos de aprendizagem. Começam a aparecer diferenças físicas entre meninos e meninas. As habilidades relativas à percepção tornam-se mais refinadas. Do ponto de vista cognitivo, desenvolve-se nessa fase a habilidade de focar a atenção e o desejo de aprender. Melhora da interação social e surge o desejo de aventura.

Fatores que influenciam o crescimento infantil

A hereditariedade determina um crescimento potencial que pode ou não ser atingido pela criança.
Os fatores perinatais, ou o histórico intra-uterino pode influenciar.
Problemas com a nutrição comprometem o desenvolvimento motor e cognitivo da criança. Tanto a desnutrição quanto a nutrição em excesso são prejudiciais.
Atividades físicas promovem o desenvolvimento físico e motor e das habilidades sensoriais e das relações sociais. É fundamental que sejam bem orientadas para que essas atividades sejam bem direcionadas na formação da criança.
Quaisquer disfunções na produção dos hormônios do crescimento podem prejudicar o desenvolvimento da criança, assim como a conseqüência de algumas doenças.
O estilo de vida sedentário, a reclusão por insegurança e a obesidade prejudicam o crescimento.
O fator ambiental, formado pelos vínculos entre pai e criança, mãe e criança e nas relações familiares influenciam diretamente seu desenvolvimento.

Plasticidade cerebral

Antigamente acreditava-se que o cérebro era uma estrutura estanque. Que não se modificava ao longo dos anos. Plasticidade cerebral é o nome das modificações que ocorrem na estrutura cerebral de acordo com novas experiências. Vemos isso diariamente em termos práticos, na profissão docente.
Um estudo realizado em um grupo de praticantes de judô demonstra que a prática esportiva dessa modalidade gera modificações em áreas do cérebro responsáveis pelo movimento. Isso comprova que determinados tipos de estímulos causam modificações na estrutura cerebral.

Ritmos circadianos – Ciclo sono-vigília

O que acontece durante o período em que dormimos? Em média dormimos um terço de nossa vida. Pra que serve esse período? Podemos considerar como perda de tempo?

O cérebro libera hormônios que têm efeito em diversos órgãos do corpo. Ela liberação de hormônios obedece a um ciclo durante o dia. Seu trabalho é diretamente influenciado pela luz solar.


O cortisol serve para dar aporte energético ao individuo. Estimula os efeitos imunológicos e antiinflamatórios.
O hormônio do crescimento é liberado durante as fases profundas do sono. Crianças com sono conturbado têm menores taxas de crescimento.
É possível investigar as fases do sono usando o aparelho chamado polissonógrafo. Ele faz um registro das atividades elétricas no cérebro durante o sono. Registra também movimentos oculares e contrações musculares.
Temos basicamente cinco estágios do ciclo do sono:
No 1° estágio, ou sono leve, a musculatura fica relativamente ativa, porém mais leve, acontecendo algumas contrações.
Nos estágios seguintes, 2°, 3° e 4°, vai-se aprofundando o sono. Diminuem o batimento cardíaco e a respiração,o cérebro começa a gerar ondas Delta. No 4° estágio, tanto a respiração quanto a atividade muscular são quase nulos e o cérebro passa a produzir ondas Delta.
O 5° estágio, ou estágio REM – Rapid Eyes Moviments – é quando muitas atividades cerebrais de acúmulo ou sedimentação do conhecimento acontecem. A atividade sináptica cerebral é bastante intensa, com a instauração de novas sinapses e a sedimentação de novos receptores cerebrais e é quando temos sonhos mais vívidos. Os olhos, nesta fase se movimentam rapidamente.
Em seguida tem a fase não-REM do sono, em que o organismo trabalha reparando as células danificadas durante a vigília.

Distúrbios do sono na infância

Despertares confusionais ocorrem principalmente nos primeiros cinco anos de vida em que as crianças acordam assustadas, suando frio, chorando e é muito difícil consolar.
Terror noturno ocorre principalmente a partir dos cinco anos de idade. A criança fica sentada na beira da cama com expressão de muito susto. Isto ocorre durante as fases não-REM do sono.
O sonambulismo ocorre em crianças e adolescentes e é quando a pessoa levanta e caminha, ainda dormindo.
O pesadelo atinge todas as faixas etárias.
Geralmente esses distúrbios são episódicos e não requerem uma atenção maior. Casos muito recorrentes são mais graves e precisam de acompanhamento médico.

Os dez mandamentos para uma boa noite de sono


1. Ter um horário regular para dormir e despertar.
2. Ir para a cama somente na hora de dormir.
3. Dormir em ambiente saudável.
4. Não fazer uso de álcool perto do horário de dormir.
5. Não fazer uso de medicamentos para dormir sem orientação médica.
6. Não exagerar em café, chá e refrigerante.
7. Fazer atividade física em horários adequados e nunca próximos à hora de dormir.
8. Jantar moderadamente em horário regular e adequado.
9. Não levar problemas para a cama.
10. Realizar atividades repousantes e relaxantes após o jantar.


Se nossa vida requer que durmamos por oito horas e trabalhemos por outras oito, fica um tema para reflexão: Você tem dedicado oito horas ao lazer?

Aprendizagem

É qualquer mudança interna do individuo, de onde se deduz uma relativa melhora em seu desempenho, resultante da prática. É de se esperar que essa aprendizagem resulte numa mudança permanente, sendo assim, para toda a vida do indivíduo.
É o processo de aquisição de informações e de incorporação de novos comportamentos. Para que aconteça, é necessário que haja uma interação de diferentes fatores: emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais.
A aprendizagem é o centro do processo educacional.
A ênfase educacional atual está centrada na aprendizagem. O professor é coautor do processo de aprendizagem, que é construído e reconstruído cotidianamente, e não mais o centro dele.
Através desse processo, descobrimos novas formas de comunicação, novas habilidades e competências.

Processos envolvidos na aprendizagem:
Estímulos sensoriais – é necessário que uma informação incida sobre os receptores para que se aprenda.
A atenção é necessária para que a gente receba a informação incidente em nossos receptores.
Quando de direciona a atenção sobre os estímulos, há a concentração que estimula a aprendizagem.
A percepção é um processo complexo e é responsável pela interpretação e codificação da informação. Em seguida ocorre a memorização, quando a informação é armazenada nas áreas da memória do córtex cerebral.
Por fim temos a aprendizagem, em que a informação é memorizada, incorporada e integrada no dia-a-dia da pessoa.

Tipos de aprendizagem

Aprendizagem por habituação – a partir da recordação de experiências anteriores – é o mais simples dentre os processos. Um estímulo que, habitualmente, produz uma reação de nosso organismo, com o hábito, isso deixa de acontecer. O principal efeito é que, com esse aprendizado, o individuo passa a selecionar a quais estímulos vai reagir. Esse processo acontece o tempo todo.

Aprendizagem social ou por modelagem – é tudo o que se aprende através das relações sociais, por imitação. A maior parte de nosso comportamento é aprendida dessa forma.
A forma como nós interagimos com o meio ambiente determina o comportamento daqueles que nos observam.
 Aprendizagem por condicionamento – consiste na simultaneidade de dois ou mais estímulos: um exercício que seja passado ao mesmo tempo em que se ouve a explicação de como fazê-lo faz com que, com o passar do tempo, o indivíduo deixe de requerer a explicação.

Aprendizagem por tentativa e erro – sempre que uma resposta for seguida por uma recompensa, será fortalecida, e seu contrário também. A força de uma resposta é proporcional à sua consequência imediata.

É possível separar a aprendizagem em duas categorias, a aprendizagem processual, que é a aprendizagem de tarefas que não requerem o pensamento consciente, enquanto a declarativa compreende tarefas que requerem atenção.

Domínios da aprendizagem

O domínio cognitivo refere-se aos conhecimentos, às informações ou capacidades intelectuais. Está ligado a habilidades de memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação das informações.
O domínio afetivo refere-se aos sentimentos, às emoções, aos gostos ou atitudes. Está vinculado às relações sociais, à valorização e organização do meio ambiente da aprendizagem.
O domínio psicomotor refere-se ao uso e à coordenação dos músculos. Vinculado aos movimentos, às habilidades perceptivas e físicas e, também, à comunicação não verbal.

Tema para reflexão: Qual tipo de aprendizagem você usa mais com seus alunos? Seu comportamento perante seus alunos é planejado, com forma de aprendizagem? É possível melhorar suas estratégias após adquirir esses novos conhecimentos?

Memória

A memória é a habilidade de aquisição, formação, conservação e evocação de informações. Define também a persistência de algo aprendido ou apreendido e que pode ser evidenciado a posteriori.
A memória e a aprendizagem estão intimamente relacionadas, sendo praticamente impossível fazer uma separação.

Podemos dividir a memória em estágios:
A codificação é o estágio de processamento das informações, subdivide-se em aquisição e consolidação. Aquisição é a entrada e o registro da informação em arquivos sensoriais e a consolidação e a criação de uma representação dessa informação.
Em seguida vem o armazenamento, que é a mantenedura desse registro permanente em nossa memória.
Por último vem a evocação, que é a utilização de uma informação armazenada.

Vários fatores interferem na modelagem das memórias. O primeiro deles são as emoções, já que, dependendo da situação emocional da pessoa, a memorização pode fluir de maneiras diferentes. Depois vem o nível de consciência e os estados de ânimo, pois, dependendo desses fatores, pode ser mais fácil ou não o armazenamento e a evocação das informações.

A memória é um processo neuronal – é resultante de mudanças das interações sinápticas entre os neurônios nas redes neurais. É possível afirmar que as regiões principais do processamento da memória são o hipocampo, a amígdala e o córtex frontal.
Pode-se classificar a memória em cinco tipos, segundo a função, de acordo com o conteúdo, o tempo de retenção, o tipo de informação e ainda, segundo o nível de consciência.
Segundo a função, temos a memória de trabalho, que é a que gerencia o dia-a-dia. Não produz arquivos. É para uso imediato.
De acordo com o conteúdo, temos a memória declarativa, que registram fatos episódicos ou semânticos. Aqueles dizem respeito àquilo que vivenciamos, enquanto este, registra os conhecimentos gerais que aprendemos. A memória processual é a de habilidades motoras e sensoriais, adquiridas de maneira inconsciente. Os movimentos necessários para se escovar os dentes, por exemplo, não precisam ser evocados para que os realizemos.
De acordo com o tempo de retenção, temos a memória sensorial abrange frações de segundos – de 0,2 a 0,25 milésimos de segundos. A de curto prazo é a de utilização imediata, de 20 a 30 segundos, e a de longo prazo é a de retenção duradoura. Qualquer tipo de informação pode ir para a memória de longo prazo dependendo dos fatores que interferem em sua memorização.
A memorização segue determinados passos que podem ser listados da seguinte forma:
Uma pessoa recebe uma informação, abrindo duas possibilidades, se não está prestando atenção, ela é descartada após frações de segundos, caso contrário, essa informação vai pára a memória de curto prazo. Em seguida, caso a pessoa processe a informação, ela vira uma memória de longo prazo, se não, depois de 18 a 20 segundo, ela se perde.

Quanto ao tipo de informação, temos a memorização verbal, visual ou motora, dependendo da forma como a informação chega à pessoa – através de fala, de uma imagem ou de uma atividade pratica.

Segundo o tipo de consciência temos a memória assertiva ou explicita, e a implícita ou não-assertiva. A primeira é o processo de memorização consciente, em que participamos ativamente da memorização, enquanto a segunda é seu oposto, ou seja, a memorização por processos inconscientes, mesmo que gerem respostas emocionais. Ao resolver uma questão problema relacionada ao cotidiano, é possível que um aluno aprenda uma serie de conceitos sem se dar conta.

O estudo da memória abre caminhos para se compreender o esquecimento: Alguns fatores que interferem no esquecimento são a falta de uso, a interferência de aprendizagens sobrepostas, falhas no armazenamento, influências emocionais, como a repressão ou associação a situações desagradáveis e, por fim, a falha na evocação do que pode ter sido memorizado.

Fatores biológicos também podem influenciar o esquecimento: Fatores como o cansaço, doenças, a falta de estímulos cerebrais e a velhice. Além disso, fatores psicológicos como a desatenção ou o nível de consciência, além de influencias emocionais também podem gerar o esquecimento. A depressão ou o stress, por exemplo.
Questões para reflexão: Como a memória influencia no processo de aprendizagem de seus alunos e, qual o tipo de memória que está mais relacionada ao trabalho docente?




Métodos de estudo do sistema nervoso

A Neuroimagem funcional pesquisa as propriedades físicas dos neurônios ou das redes que se formam som seu agrupamento. A dinâmica cerebral analisa o comportamento neuronal numa dada função.

 Temos o Eletro encefalograma ou EEG. É um exame utilizado para registrar as ondas elétricas cerebrais relativas a uma atividade específica.

O Magneto-encefalograma, MEG, analisa os campos magnéticos gerados pelas ondas elétricas cerebrais. Mede quaisquer alterações desses campos decorrentes de qualquer despolarização das membranas dos neurônios.

A Tomografia por emissão de pósitrons, PET. Após a injeção de um produto (rádio fármaco) gerando pósitrons. Esses pósitrons se chocam com os elétrons gerando dois raios gama.  Esses raios são detectados pelo aparelho formando uma imagem. Pode ser útil para avaliar quais os neurotransmissores que porventura estejam faltando.

A Tomografia óptica ou NIR-DOT. Injeta-se raios laser na cabeça para avaliar a oxigenação de determinada parte do cérebro. Variações na oxigenação determinam a atividade cerebral, sendo possível localizar as regiões mais ativas durante uma dada função.

A Ressonância magnética, RM, é um exame muito presente nos laboratórios de analises clinicas. É capaz de fazer fotografias (imagens anatômicas) do cérebro com alto grau de resolução. Pode, também, obter informações metabólicas, através de uma espectroscopia. Quando se detecta a ausência, ou redução, de determinada substância produzida pelo neurônio, localiza-se uma disfunção neuronal ou até mesmo a morte dos neurônios, naquela região. Pode também fazer imagens funcionais, ou seja, mostrando as áreas que entram em ação quando a pessoa realiza uma dada atividade, seja ela um movimento das mãos até o uso da memória. 

A tendência atual é a das técnicas multimodais, ou seja, a soma de esforços das técnicas de investigação para a obtenção das informações necessárias pra cada situação.

Neuroanatomia funcional: sistemas sensoriais – os cinco sentidos e a percepção



Visão - A pupila regula a quantidade de luz. Temos vários músculos que movimentam as pupilas. Temos a retina, onde incidem os estímulos que, através dos nervos ópticos são conduzidos até a região occipital do cérebro.
Audição – O conjunto auditivo recebe as ondas sonoras que estimulam a membrana timpânica. Essa membrana, através da vibração de estruturas ósseas, leva as informações até o córtex cerebral.
Gustação – As papilas gustativas existentes na língua captam as informações químicas das substâncias, transformam em impulsos elétricos e as transmitem ao cérebro, que processam essas informações.
Olfato – É muito semelhante à gustação. Capta as moléculas químicas presentes no ar, transformam em impulsos elétricos e as transmitem ao cérebro, que faz o reconhecimento dos odores.
Tato – O sistema periférico é formado por feixes de nervos que se conectam o corpo todo ao SNC. Esses nervos levam os estímulos à medula, que os transmite ao cérebro. Em algumas regiões, esses nervos estão em maior número, fazendo com que sejam mais sensíveis.

Percepção é o processo de organizar e interpretar os dados sensoriais recebidos do mundo externo. Avalia uma informação sensorial qualquer segundo uma elaboração interna. É fruto da manipulação cerebral das informações que nos chegam através dos sistemas sensoriais. Após recebermos determinado estímulo, nossa memória e nossa cognição formulam conceitos sobre o mundo e sobre nós mesmos, orientando nosso comportamento.
O grande exemplo de que esses conceitos são individuais é a resposta individual a um dado aroma que, para uma pessoa pode trazer à tona uma lembrança ruim, sendo assim avaliado negativamente, enquanto que, para outra, pode ser avaliado como um excelente perfume.
A interpretação depende de várias atividades cognitivas: a memória, seu grau de atenção, comportamento, linguagem etc.
 A percepção é uma atividade dinâmica e evolui/varia no decorrer de uma existência, pois seu desenvolvimento é gradual. Depende das expectativas, dos valores, das motivações e emoções com a qual está relacionada.

Tema para reflexão: Como você, professor, pode influenciar, de maneira positiva, a percepção que seus alunos têm dos estudos?

A organização do SN

O Sistema Nervoso divide-se em SN Periférico e Central. O SN Periférico é uma rede conectada de neurônios que recebe estímulos do mundo externo e os repassa ao SNC, onde essas informações são integradas. O SNC é formado pelo cerebelo, pelo cérebro e pela medula espinhal. O cérebro é o órgão mestre do SN. Recebe, administra e responde as informações. Também é de onde vem o controle vital de nosso organismo.
Uma explicação para o cérebro ter esse formato todo retorcido é que a natureza precisou comprimi-lo para que coubesse em um espaço tão pequeno. Se o cérebro fosse liso e esticado, ocuparia dez vezes o espaço que ocupa.
O cérebro tem dois hemisférios.
Estruturalmente, os dois hemisférios são aparentemente simétricos, no entanto o direito é mais voltado ao raciocínio e à lógica, enquanto o esquerdo é muito mais verbal.

É possível também dividir o cérebro segundo os lobos cerebrais.

Lobo frontal é responsável por questões cognitivas, antecipação do pensamento e os movimentos.
Lobo parietal cuida das sensações, imagem corporal e localização espacial.
Lobo temporal está diretamente ligado à questão da aprendizagem. Contém o hipocampo, onde reside a memória.
Lobo occipital é o responsável pela visão.
Há ainda o cerebelo ou pequeno cérebro que tem, principalmente a função controle do movimento, no entanto, tem muita ligação com a aprendizagem, também.

A medula espinhal conduz os impulsos nervosos levando as informações até o cérebro e os controles cerebrais até a periferia. Lesões na medula podem fazer com que a pessoa fique paraplégica ou tetraplégica.
Neurônios são unidades básicas de funcionamento do SN. São células que desempenham funções diversas como a produção de neurotransmissores. Comunicam-se através de sinapses, que liberam as substâncias químicas que passam de um a outro neurônio.

As células Gliais dão sustentação às células nervosas,desempenham variadas funções cuidando dos neurônios.

Introdução às neurociências

Neurociências - refere-se ao estudo do sistema nervoso - pode ser dividida em 5 subgrupos. A saber:

  • Neurociência molecular – fala sobre a importância funcional das moléculas;
  • Neurociência celular – fala sobre a estrutura e a função das células do SN;
  • Neurociência sistêmica – trabalha com os conceitos da neuroanatomia, compreende as regiões do SN
  • Neurociência comportamental – explica as atividades mentais relativas ao comportamento, como o sono, as emoções etc.;
  • Neurociência cognitiva – trabalha com atividades mentais mais complexas, como a memória, a linguagem, a aprendizagem etc.

As neurociências envolvem necessariamente a multidisciplinaridade, pois os limites entre as especialidades não são muito definidos, fazendo com que seja necessário o diálogo entre as múltiplas abordagens.

A história das neurociências transita constantemente na dualidade entre Globalistas x Localizacionistas, e, por outro lado, entre Espiritualistas x Materialistas.

Globalistas – defendem a idéia de que todo o cérebro atua em todas as funções, globalmente, ou seja, não é possível definir uma área do cérebro que seja responsável por uma determinada atividade. Por outro lado, os Localizacionistas defendem exatamente o oposto.
Espiritualistas – falam que algumas capacidades mentais têm lógica própria. Os Materialistas falam que, ao contrário, todas as capacidades mentais são oriundas do SN. A memória e a linguagem são exemplos de atividades cerebrais segundo os Materialistas.
Os Localizacionistas e os Materialistas têm, atualmente, os melhores argumentos para defender seus pontos de vista.
História das Neurociências:

No século XIX, F. J. Gall concebeu a Frenologia – defendia a idéia de que o cérebro poderia ser dividido em 35 ‘setores’ diferentes, sendo cada um, responsável por funções cerebrais como a linguagem, a discriminação de cores até emoções como auto-estima ou esperança. O uso de determinadas funções cerebrais aumentavam suas respectivas regiões cerebrais, de tal forma que, observando a anatomia do cérebro de uma pessoa era possível conhecer seu comportamento e sua personalidade.

Pierre Flourens, por volta de 1825 criou a idéia do Campo Agregado – através da observação de que, animais lesionados em seu cérebro, recuperavam as funções cerebrais depois de algum tempo, deduziu que quaisquer sensações, percepções e demais funções cerebrais refletiam a mesma função cerebral.

J. M. Jackson, retoma, logo em seguida a visão Localizacionista, estudando pessoas com epilepsia concebe a Organização topográfica do cérebro, de onde se conclui que cada área do cérebro era responsável por determinado movimento.

Pouco tempo depois, Paul Broca e Carl Wernicke, estudaram a linguagem. Dificuldades de falar e de compreender a fala. A área de Paul Broca é a área da expressão da linguagem e a de Carl Wernicke, que sedia a compreensão da linguagem.
Havendo uma região responsável por determinada função cerebral, seu desaparecimento causa um fenômeno chamado de Déficit funcional. No entanto, sempre há a possibilidade de reorganização funcional do SN.
E. Hitzig e G. Fritsch realizaram estudos com cães, estimulando seus cérebros em locais específicos, percebiam movimentos característicos. Realizaram análises neuroanatomicas.

Para Korbinian Brodmann, a divisão da córtex cerebral é feita em 52 áreas, considerando as diferentes funções desempenhadas pelas respectivas regiões. Na imagem, vê-se apenas 47 áreas .

Camilo Golgi, criou o método em que o uso de nitrato de prata permite marcar os tecidos nervosos visualizando a estrutura das células nervosas e a natureza única dos neurônios. É o primeiro a abordar a transmissão de impulsos elétricos dos dendritos pra o axônio.

Santiago Ramón y Cajal fala da doutrina neuronal. Descobre que o Sistema neuronal é formado por bilhões de neurônios que se comunicam através das sinapses. Detecta nas células nervosas o corpo celular, os dendritos e o axônio.

Johannes Purkinje descreve o primeiro neurônio. Inventou o estroboscópio, com o qual é possível o estudo microscópico dos tecidos. Descobre as células de Purkinje do cerebelo.

Sigmund Freud, também adepto da Doutrina neuronal, estudando a anatomia microscópica reforça a ideia de que o neurônio é uma unidade distinta do SN.

Hermann Helmholtz cria o aparelho que leva seu nome e que mede a velocidade da condução nervosa de um neurônio a outro.

A compreensão do funcionamento de SN que é formado por regiões distintas, com funções especificas, mas com alto grau de interação, com muitas conexões neurais. Inteiramente interativo.

Para reflexão, fica a questão: o que ocorre quando alguma região ou alguma função neuronal não funciona direito.